terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Novos conflitos deslocam milhares de pessoas para Mogadishu

O Alto Comissariado da ONU para Refugiaos (ACNUR) está pedindo a proteção de civis na medida em que milhares de pessoas fogem do crescente conflito na região de Afgooye, na Somália. 

Desde que novos enfrentamentos irromperam nesta terça, mais de 5.2 mil somalis fugiram do corredor de Afgooye, localizado ao noroeste de Mogadishu. Neste mês, mais de 7.2 mil pessoas foram deslocadas nesta área, um trecho de 40 quilômetros ao longo dos quais encontram-se espalhados vários assentameentos, que abrigam quase 410 mil somalis deslocados internos. 

"Um terço da população deslocada internamente na Somália vive no corredor de Afgooye", disse o Representante do ACNUR no país, Bruno Geddo, observando que essas pessoas fugiram da insegurança em Mogadishu e em outras partes do país durante os últimos cinco anos. "Agora, muitos estão se deslocando de novo. Nós apelamos a todos os grupos e forças armadas para que priorizem a segurança e a proteção das pessoas que residem em Afgooye". 

Entre aqueles que fugiram nos últimos dias, a maioria está indo para Mogadishu. Na quarta-feira, funcionários do ACNUR observaram cerca de 150 ônibus e carroças trazendo pessoas para a capital por meio de um dos pontos de entrada da cidade. Outros chegavam a pé. 

"Alguns deles estão se acomodando nos campos de deslocados internos existentes em Mogadishu", disse Geddo. Outros estão se dirigindo a regiões que foram recentemente desocupadas, ou estão vivendo com famílias/amigos. 

O ACNUR, juntamente com outras agências, intensificará sua assistência para responder às necessidades humanitárias imediatas desse novo grupo, o qual necessita urgentemente de abrigo, comida e água. 

Mais de 20 anos após o início da guerra civil, a Somália continua sendo uma das piores crises humanitárias enfrentadas pelo ACNUR, generando o maior número de refugiados e deslocados do mundo, depois de Afeganistão e Iraque. Cerca de 1.3 milhões de somalis são deslocados internos, enquanto outros 968 mil vivem como refugiados nos vizinhos Quênia (520 mil), Iêmem (203 mil) e Etiópia (186 mil).