terça-feira, 20 de setembro de 2011

Situação de saúde de refugiados somalis na Etiópia

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) disse na sexta-feira que, enquanto refugiados somalis continuam chegando diariamente à Etiópia, as condições de saúde e nutrição nos campos de refugiados do país estão melhorando. 
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Na quinta-feira passada, o Banco Mundial anunciou, em Washington-DC, a doação de US$ 30 milhões ao ACNUR para ajudar cerca de 500 mil refugiados – a maioria mulheres e crianças – a ter acesso a alimentação, saúde e serviços sanitários em alguns campos da Etiópia e do Quênia.

A doação será utilizada durante um período de 18 meses para combater a desnutrição, fornecer serviços de saúde (incluindo tratamento pediátrico e materno) e apoiar um programa de imunização. Além disso, o dinheiro será usado para expandir o acesso a água potável e serviços de saneamento, e para prevenir e tratar doenças comuns como diarréia, sarampo e malária.

“A doação concedida nos permitirá expandir a cobertura de serviços essênciais de saneamento, nutrição e saúde nos maiores campos de refugiado no Chifre da Africa”, disse o Alto Comissário das ONU para Refugiados, António Guterres.

O ACNUR está muito preocupado com a saúde de milhares de refugiados somalis que fugira, este ano, da seca, fome e das disputas em seu país, especialmente as crianças. Desnutrição e sarampo têm sido culpados pelas muitas mortes nos campos de refugiados nas últimas semanas.

Mas a agência da ONU para refugiados e seus parceiros têm feito progressos na promoção de assistência médica e no fornecimento de alimentação a refugiados vulneráveis em diversos campos, inclusive aqueles de Dollo Ado na região leste da Etiópia. Parte da doação do Banco Mundial será usada nesses campos.

O porta-voz do ACNUR disse que a campanha de vacinação contra o sarampo, concluída há duas semanas, produziu uma diminuição acentuada do número de casos e mortes relacionadas à doença nos campos de Dollo Ado. “Equipes móveis de saúde estão atendendo muitas famílias que anteriormente não tinham acesso a assistência médica”, disse Adrian Edwards.

No campo de Kobe, houve um acentuado declínio na taxa de mortalidade, que é agora estimada em 2,1 a cada 10 mil pessoas por dia – há algumas semanas, esta taxa era de quatro a cinco pessoas a cada 10 mil.

“Quando o novo campo da Etiópia, Hilaweyn, foi inaugurado há seis semanas, a taxa de desnutrição global entre as crianças refugiadas récem-chegadas, com idade inferior a 18, era de 66 por cento. A taxa caiu agora para 47 por cento”, disse Edwards.

Em todos os campos de Dollo Ado, a taxa global é de aproximadamente 35 por cento, na medida em que as crianças mais vulneráveis tem tido acesso aos programas de alimentação nutricional. “Continuamos investindo nestes programas de alimentação, já que as taxas de desnutrição ainda são altas, especialmente entre as crianças menores de dois anos de idade”, acrescentou Edwards.

Enquanto isso, uma média de 300 somalis - provenientes de Bay, Gedo e Bankool, regiões do sul da Somália - continua atravessando diariamente a fronteira em direção a Dollo Ado. Os recém-chegados dizem que as condições na Somália continuam precárias, e que há dificuldades para encontrar alimentos devido à seca. Alguns também estão fugindo do contínuo conflito e da violência.

Na capital, Mogadíscio, a ocorrência de diarréia e sarampo entre os deslocados internos somalis ainda é uma preocupação e a taxa de mortalidade entre crianças menores de cinco anos continua alarmante. As taxas de desnutrição também pioraram.

O ACNUR tem realizado uma série de missões de investigação em alguns dos mais de 180 campos improvisados na capital somali, onde a distribuição de itens de ajuda de emergência foi realizada. Outras missões estão planejadas.

Com um clima mais frio e chuvas estimadas para outubro, o ACNUR está trabalhando com o Fundo da ONU para Crianças (UNICEF) na distribuição de aproximadamente 60 mil cobertores para evitar o risco de hipotermia em Mogadíscio e nas regiões vizinhas.

Com a proximidade da estação de chuvas, o ACNUR também está buscando soluções e alternativas para os abrigos temporários – a aquisição de lonas de plásticas e de material de abrigo já foi providenciada.


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