sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

EMBAIXADA AMERICANA EM MAPUTO NEGA COMENTAR CONTEÚDO DE FICHEIROS SECRETOS SOBRE MOÇAMBIQUE

O Adido de Imprensa e Cultura dos EUA em Maputo, Tobias Bradford, disse à Rádio Moçambique, que o governo norte-americano não comenta informações alegadamente classificadas.

Bradford reagia ao conteúdo de ficheiros secretos tornados públicos quarta-feira, 8, pelo site WikiLeaks, que ligam proeminentes figuras políticas moçambicanas ao tráfico de drogas.

Nos referidos ficheiros publicados pelo WikiLeaks, fundado pelo australiano Julian Assange, é referido que um representante da embaixada norte-americana em Maputo relatou num telegrama datado de agosto do ano passado, que Moçambique é o segundo país mais activo depois da Guiné-Bissau, para a realização das actividades dos tráficantes de drogas no continente africano.

Tobias Bradford explicou a propósito que o governo norte-americano já expressou a sua preocupação ao governo moçambicano sobre o trânsito de drogas pelo território de Moçambique.

O Adido de Imprensa e Cultura da embaixada dos EUA em Maputo, destacou que as relações entre os governos dos dois países “continuam excelentes”.

“Nós consideramos Moçambique como um parceiro importante e as nossas relações têm sido construtivas e bem sucedidas”, disse o diplomata norte-americano, salientando que essas relações “sobriviverão a qualquer momento díficil”.

Em relação às referências de que Moçambique tornou-se uma placa giratória no tráfico ilícito de estupefacientes na África Austral, Tobias Bradford disse que “não é segredo” que o governo dos EUA já manifestou a sua preocupação com relação ao esse facto, ressalvando que tal preocupação permanece.

“Esta é uma situação que o governo de Moçambique deve tomar a sério, pois temos visto que a ineficácia da luta contra o tráfico de drogas noutros países, levou a consequências graves e negativas”, clarificou o diplomata norte-americano.

Entretanto, o primeiro-ministro moçambicano, Aires Ali, negou-se hoje a comentar os telegramas da embaixada dos Estados Unidos em Maputo que ligam o poder político em Moçambique ao narcotráfico.

Questionado no Parlamento pelos jornalistas o primeiro-ministro disse que essa seria uma questão a colocar à embaixada dos Estados Unidos, acrescentando que o Governo não tem “nada a comentar”.

Aires Ali disse que o relacionamento com os Estados Unidos é “excelente” e que se há algum problema os jornalistas devem perguntar à embaixada norte-americana.

Fonte: Radio Moçambique