terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SOBRE OS POLÉMICOS DOCUMENTOS DA WIKILEAKS: DHLAKAMA CONVIDA GUEBUZA E CHISSANO A DAREM EXPLICAÇÕES PÚBLICAS

O líder do maior partido da oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, disse em entrevista ao Canalmoz que o Presidente da República, Armando Guebuza, e o seu antecessor, Joaquim Chissano, devem vir publicamente explicar ao povo moçambicano as informações confidenciais internas que a respeito de ambos, foram enviadas pelos serviços da embaixada americana em Maputo para o governo de Washintgon, e tornadas públicas pelo site da Wikileaks. Nesses telegramas o actual chefe de Estado, que é simultaneamente presidente do Partido Frelimo, quer o seu antecessor, Joaquim Chissano, presidente honorário do mesmo partido que está no poder desde a Independência, são referidos como quem dá cobertura às operações que, segundo os mesmos “telegramas diplomáticos” fazem de Moçambique a segunda placa giratória de narcotráfico no continente africano.

Dhlakama entende que as informações da Embaixada dos EUA em Maputo, tornadas públicas pelo site Wikileaks, são “credíveis porque não são informações de um político ou de um membro de um partido”, mas sim de um serviço especializado em busca de informação.

Gubeuza ainda não fez qualquer declaração pública. Joaquim Chissano já disse que se trata de uma mentira grosseira pois nunca viu tais drogas excepto suruma (cannabis sativa) que até quando era presidente da República lhe pediram que legalizasse por se tratar de uma droga fraca, mas discordou disso.

Não é uma questão de propaganda

Para o presidente da Renamo, a informação da embaixada americana em Maputo, em nada tem que ver com a propaganda contra a Frelimo ou quem quer que seja. “Isto não é uma questão de propaganda para manchar a imagem de Guebuza ou de Chissano. São coisas concretas”, referiu e acrescentou: “Eu como líder, como político, conheço estas coisas. Apenas convido ao ex-chefe de Estado, Joaquim Chissano, e o actual presidente, a virem ao público dizer ao povo o que sabem a cerca disso”.

Guebuza devia renunciar o cargo

Para Dhlakama, depois de tornada pública esta informação, o chefe de Estado devia renunciar o cargo. “Isto é grave. Numa situação destas ao se confirmar em qualquer país do mundo, Guebuza é imediatamente demitido, nem é preciso fazer pressão porque já não tem cara. Isto é diferente de roubar votos e proclamar-se presidente e governar à força, porque o problema é da imagem, em todo o mundo, do povo moçambicano”, disse Dhlakama.

Dizendo-se preocupado com a situação, Dhlakama questionou: “Moçambique é governado por um traficante de drogas? A droga destrói vidas humanas, quando jovens se injectam de drogas. Isto é a guerra combatida em todo o mundo. A droga é mais do que o terrorismo. Vender droga é o mesmo que vender veneno. O combate à droga é uma guerra de carácter internacional”, disse a Dhlakama a terminar.

Fonte: Canal de Moçambique