segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Malawi: Mutharika acusa sua vice-Presidente de cúmplice do governo mocambicano no projecto Shire-Zambeze

No Malawi, activistas dos Direitos Humanos exigem ao Presidente Bingu wa Mutharika para que respeite e valorize a Vice-Presidente, Joyce Banda, alegadando que ela tem sido vítima de ostracismo e desprezo nos últimos tempos.

A exigência vem contida numa carta-aberta dirigida a Bingu wa Mutharika pelo Comite Consultivo dos Direitos Humanos, que congrega noventa e uma organizacões não-governamentais.

Os subscritores da carta consideram que o presidente malawiano está, de forma deliberada, a marginalizar e esvaziar o poder da sua vice, numa tentativa visando leva-la à frustação.

Os activistas malawianos dos direitos mumanos expressam também o seu apoio à recente Carta Pastoral dos Bispos Católicos do país na qual questiona também o tratamento concedido à Vice-Presidente, Joyce Banda.

Na semana finda, o Presidente Bingu wa Mutharika anunciou que todos os programas sociais dirigidos por Banda vão, a breve trecho, passar para a gestão da sua esposa, Calista Mutharika, para que o poder esteja concentrado todo ele em casa.

Neste momento, a Vice-Presidente está banida de qualquer cobertura na rádio e televisão estatais como forma de apagar a sua imagem.

O desentendimento entre o Presidente Mutharika e a sua Vice-Presidente começou nos princípios deste ano quando emergiram duas alas no seio do partido governamental, uma das quais a favor da candidatura de Joyce Banda às eleicoes de 2014, em detrimento de Peter Mutharika, irmão mais novo do Presidente.

A partir daí, começou uma campanha visando desvalorizar a Vice-Presidente, num processo marcado por críticas por parte de algumas facções do DPP, em particular os apoiantes de Peter Mutharika.

O Comité Consultivo dos Direitos Humanos entende que não faz sentido o governo malawiano gastar cerca de 150 milhões de kwachas, o equivalente a 30 milhões de meticais, para mobilar os gabinetes da Joyce Banda em Lilongwé e Blantyre, sem que ela tenha algo para fazer.

Para denegrir cada vez mais a sua imagem, Joyce Banda é acusada de cumplicidade com o governo mocambicano na fracassada tentativa dos barcos malawianos que se dirigiam à cerimónia da inauguração do porto de Nsanje e de ter simulado um acidente de viação para atrair a simpatia da opinião pública.

Há cerca de uma semana, Joyce Banda escapou a um acidente de viação em Lilongwé, que se alega ter sido um atentado dos agentes do governo para assassina-la.

Joyce Banda é acusada também de ter orientado alguns jornalistas para colocar questões consideradas quentes ao Presidente Bingu wa Mutharika, com vista a embaraçar o Chefe de Estado.

No entanto, o governo malawiano insiste que a Vice-Presidente, Joyce Banda, está sendo respeitada e a gozar os direitos que merece.

No mandato anterior, Bingu wa Mutharika também não conseguiu gerir o seu relacionamento com o Vice-Presidente, Cassim Chilupha, que acabou sendo detido, acusado de planear um golpe de estado.

Até hoje, as autoridades malawianas ainda não conseguiram provar o alegado golpe.

Fonte: Rádio Moçambique