segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Governo de Moçambique distancia-se das informações tornadas públicas pelo WikiLeaks

O Governo de Moçambique desmente com veemência as informações tornadas públicas pelo site WikiLeaks, segundo as quais, dirigentes do Estado moçambicano e outras figuras da política nacional estariam implicadas em actividades ilícitas.

Num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, o Governo moçambicano afirma que se distancia do conteúdo dessas informações.

“Essas informações não têm qualquer base de sustentação e atentam contra a imagem, o prestígio e o bom nome do Estado moçambicano e dos seus dirigentes”, refere o comunicado.

O documento do MNEC realça ainda que as informações do site fundado pelo australiano Julian Assange são susceptíveis de prejudicar a dinâmica das relações internacionais.

Segundo o mesmo comunicado, o Governo moçambicano reafirma o seu cometimento na prevenção e combate a actos ilícitos, que constituem obstáculos à sua agenda nacional, de luta contra a pobreza e pelo desenvolvimento, e mantém o seu cometimento na promoção das boas relações de amizade, solidariedade e cooperação com todos os Estados.

Entretanto, o antigo Presidente de Moçambique Joaquim Chissano negou na sexta-feira, 10, qualquer envolvimento com narcotráfico e classificou os documentos divulgados pelo portal WikiLeaks como "mentira grossa".

"Gostaria de saber em que é que me ligam ao narcotráfico", disse Joaquim Chissano em declarações à Lusa, garantindo que é tudo mentira e que duvida que a embaixada dos Estados Unidos tenha alguma informação.

"Diz-se que o Manuel Tomé (líder da bancada parlamentar da FRELIMO, partido no poder) recebia dinheiro e que era meu familiar. Nunca foi meu familiar. O que me parece que dão a entender é que estão a tentar meter o meu nome a todo o custo", afirmou o antigo chefe de Estado moçambicano.

Em declarações à Agência de Informação de Moçambique, Manuel Tomé, afirmou que quando leu os telegramas sentiu uma grande vontade de rir por causa de tais absurdas alegações.

“Eu não faço coisas do género”, disse ele. “Eu não recebo comissões ou subornos”, acrescentou.

Sobre a alegada familiaridade entre Chissano e Tomé, refira-se que o ex-presidente moçambicano nasceu na província de Gaza, no sul de Moçambique. Tomé, por seu turno, pertence a um grupo étnico totalmente diferente, da província central de Manica.

Fonte: Radio Moçambique