sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Morte de civis no ataque a igreja no Iraque considerado "crime de guerra"

A Amnistia Internacional condenou, como crime de guerra, o ataque a uma igreja católica em Bagdade cometido por um grupo armado, no passado Domingo, no qual cerca de 100 fiéis foram tomados como reféns e mais de 40 foram assassinados, à medida que as forças de segurança iraquianas procuravam libertá-los. O Estado Islâmico do Iraque, um grupo armado ligado à al-Qa’ida no Iraque, reivindicou a sua responsabilidade pelo ataque contra uma igreja no distrito de Karrada, Bagdade.

Depois de três horas num impasse, as forças de segurança iraquianas tomaram de assalto a igreja na tentativa de libertar os reféns, após os sequestradores terem alegadamente ameaçado assassiná-los.

“Condenamos totalmente esta vergonhosa escolha de alvos civis a atingir por parte de um grupo armado num local de culto”, afirmou Malcolm Smart, Director do Programa da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África.

“O ataque parece ter sido destinado a causar o máximo de perdas de vida e inflamar ainda mais a divisão sectária que continua a destruir o Iraque.”

“Atacar deliberadamente os civis no seu local de culto, mantê-los reféns e assassiná-los representa um crime de guerra.”

Consta-se que os sequestradores exigiram a libertação de prisioneiros no Iraque e no Egipto, tendo ainda usado granadas e detonado cintos de explosivos para matar os reféns quando as forças de segurança procuravam libertá-los.

Esta crise de reféns constitui um dos piores ataques cometidos por grupos armados contra os cristãos iraquianos desde o início da guerra do Iraque, em 2003. Os cristãos iraquianos têm sido frequentemente alvo de sequestro e assassinato, e muitas igrejas têm sido objecto de ataques bombistas.

O Iraque permanece num impasse político e, oito meses após as eleições nacionais ocorridas em Março, um novo governo tem de ser ainda formado. Os grupos armados estão a explorar o vazio de poder e segurança ao intensificarem os seus ataques contra o governo, o exército norte-americano e alvos civis.

A condição precária dos civis iraquianos foi matéria de investigação no relatório da Amnistia Internacional Iraq: Civilians under fire, de Abril de 2010. Os civis iraquianos continuam a ter que suportar o conflito sectário, em que os principais alvos são os membros das minorias religiosas e étnicas, mulheres e meninas e activistas políticos.