quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Prémio Nobel da Paz atribuído a Liu Xiaobo coloca em destaque as violações dos direitos na China

A Amnistia Internacional apelou ontem (13 de Outubro) às autoridades chinesas para que sejam libertados todos os prisioneiros de consciência detidos no país, após a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao activista pelos Direitos Humanos, Liu Xiaobo, que se encontra detido.

O intelectual e autor, de 54 anos, ganhou o prémio pela sua extraordinária contribuição para os Direitos Humanos. Encontra-se actualmente a cumprir uma pena de 11 anos pela acusação de “incitar à subversão contra o poder do estado”, imposta após um julgamento injusto.

Liu é um proeminente crítico do governo, que tem apelado repetidamente à protecção dos Direitos Humanos, à responsabilização política e à democratização na China.

”Liu Xiaobo é um merecido vencedor do Prémio Nobel da Paz e esperamos que esta atribuição mantenha o foco na luta pelas liberdades fundamentais e pela protecção concreta dos Direitos Humanos a que Liu Xiaobo e muitos outros activistas na China se dedicam”, afirmou Catherine Baber, Subdirectora da Amnistia Internacional para a Ásia-Pacífico. Baber acrescenta ainda que “este prémio só poderá realmente marcar a diferença se levar a maior pressão internacional junto da China para que liberte Liu, assim como os demais prisioneiros de consciência que definham nas prisões chinesas por exercerem o seu direito à liberdade de expressão”.

Liu Xiaobo foi o co-autor da Carta 08, uma proposta de reforma política e legal para a China, visando implementar um sistema democrático de respeito pelos Direitos Humanos. A Carta foi originalmente assinada por cerca de 300 intelectuais, advogados e oficiais chineses, e pretendia marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a 10 de Dezembro de 2008. Liu foi detido no dia 8 de Dezembro e a Carta foi publicada online no dia seguinte. Desde então, muitos dos assinantes originais têm sido interrogados e perseguidos pelas autoridades chinesas. Entretanto mais 12.000 pessoas subscreveram a carta online como sinal de apoio.

Liu Xiaobo foi condenado no dia 25 de Dezembro de 2009, um dia depois do julgamento que durou duas horas e mais de um ano após a detenção. Os artigos que escreveu sobre o movimento pró-democracia de Junho de 1989 foram também citados no seu veredicto como uma prova de “incitamento à subversão”.

A Amnistia Internacional tem feito campanhas pela sua libertação, bem como pela libertação dos restantes activistas que assinaram a Carta 08, incluindo Liu Xianbin, detido no mês de Junho.

Muitos outros signatários da Carta 08 têm pedido para serem co-responsabilizados pela Carta juntamente com Liu Xiaobo, ao mesmo tempo que vários elementos de um grupo sénior do Partido Comunista têm questionado a legalidade da sua sentença.

O ex-Presidente da República Checa, Vaclav Havel, e o Prémio Nobel da Paz Dalai Lama, encontravam-se entre os apoiantes do nome de Liu Xiaobo para o Prémio de 2010. Vaclav Havel foi o co-autor da Carta 77, o manifesto redigido em 1977 que apelava ao respeito pelos Direitos Humanos na Checoslováquia e que serviu de modelo para a Carta 08.