segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Atenas voltou a arder um ano depois dos piores tumultos das últimas décadas

A polícia grega usou bastões e granadas de gás lacrimogéneo para conter actos de violência durante uma manifestação, em Atenas, convocada para lembrar a morte de um jovem pelas forças de segurança que, em 2008, gerou os piores motins no país nas últimas décadas.

Jovens encapuzados, alguns deles "anarquistas, vindos de Itália e Espanha", interromperam o desfile de cerca de 3000 manifestantes para apedrejar transeuntes, partir montras e incendiar caixotes de lixo, informaram as autoridades. Nos confrontos, ficaram feridos dois civis e quatro dos 6000 agentes mobilizados para impedir uma repetição dos distúrbios do ano passado. Registaram-se também 80 detenções.

A violência em 2008 abalou, durante várias semanas, a capital e outras cidades gregas (ontem também se registaram acções de vandalismo em Salónica), transformadas em quase zonas de guerra. Os danos materiais elevaram-se a vários milhões de euros. O rastilho foi a morte de Alexandros Grigoropoulos, um jovem alvejado pela polícia durante protestos contra a crise económica.

Alguns manifestantes constatavam ontem que o Governo pode ter mudado – é desde Outubro dirigido pelo socialista George Papandreou – mas as suas vidas ainda não melhoraram. “Há um ano que a polícia matou um jovem e o Governo [conservador] que provocou este assassínio caiu, mas nada mudou em termos de brutalidade policial”, queixou-se à Reuters Panos Garganas, de 63 anos.

Em 2008, a morte de Grigoropoulos reactivou também a guerrilha de esquerda, com ataques a esquadras, a empresas e a políticos. Em Junho último, um polícia foi morto pelo grupo Seita Rebelde. Ontem no centro de Atenas, erguiam-se cartazes onde se lia: "Lembrem-se, lembrem-se do 6 de Dezembro". Algumas pessoas vestidas de negro gritavam: "Polícias, porcos, assassinos".

No bairro de Exarchia, onde Grigoropoulos foi alvejado, a família organizou uma cerimónia simples em sua honra, mas o pedido de manifestações pacíficas – "Não quero ver de novo Atenas a arder", implorou Vangelis, o pai, numa entrevista a um diário ateniense – não foi atentedido. Para hoje, espera-se mais violência.