quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pretória investiga presença de mercenários sul-africanos na Guiné-Conacry

O Governo da África do Sul anunciou estar a investigar informações segundo as quais mercenários sul-africanos estariam a treinar apoiantes da Junta Militar no poder na Guiné-Conacry. O correspondente da BBC em Joanesburgo, Mpho Lakaje, foi ontem citado a dizer que o anúncio parece substanciar as alegações.
Têm circulado na Imprensa francesa informações que dão conta do envolvimento de sul-africanos no treino de recrutas numa base a sul de Conacry.
Ayanda Ntsaluba, o director-geral das Relações Internacionais no MNE sul-africano, disse que as alegações do envolvimento de mercenários estão a ser levadas a sério porque a Guiné-Conacry vai realizar eleições no próximo ano.
"A alegação é a de que há um grupo de mercenários sul-africanos que está a treinar uma milícia em grande medida recrutada com base em etnicidade, apoiantes da actual Junta Militar na Guiné-Conacry", disse Ntsaluba. "A informação que temos... conduz-nos a companhias que operaram principalmente no Dubai", acrescentou.
O governante rejeitou também as alegações de uma "forte conexão sul-africana" na Guiné-Conacry, sustentando que a África do Sul tem leis estritas que proíbem a actividade mercenária.
A Junta Militar da Guiné-Conacry foi fortemente criticada pelo mortífero ataque contra apoiantes da oposição, em Setembro. Grupos de direitos humanos dizem que mais de 150 pessoas foram mortas quando soldados dispararam contra a manifestação anti-governamental e que muitas mulheres foram sistematicamente violadas. As autoridades guineenses dizem que 57 pessoas pereceram e que muitas delas haviam sido pisadas até à morte, durante a correria que se seguiu à acção da Polícia no Estádio de Futebol, onde a população se encontrava concentrada para um comício convocado pela oposição.
No mês passado, a ONU criou um tribunal para investigar o incidente de 28 de Setembro em Conacry.
Os EUA e a União Africana impuseram sanções contra o capitão Moussa Dadis Camará, que lidera a Junta, assim como contra outros 41 membros do grupo.
A França, a antiga potência colonial, e a CEDEAO impuseram um embargo de armas, enquanto que a União Europeia pediu que o capitão Camará fosse julgado por crimes contra a humanidade.