segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Obama e Medvedev reiteram compromisso de desarmamento nuclear

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, reiteraram ontem o compromisso para obter um acordo de desarmamento nuclear antes do final deste ano. Os dois líderes reuniram-se em Singapura após o encerramento da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) e analisaram questões como o processo negocial para concretizar este tratado de desarmamento, o programa nuclear iraniano e a guerra no Afeganistão.


Os dois mandatários exprimiram o seu descontentamento pelos fracos progressos nas negociações para persuadir Teerão a pôr termo às ambições nucleares. Obama advertiu que "o tempo está a esgotar-se" para que Teerão aceite a proposta mundial e que "infelizmente, pelo menos até agora, o Irão foi incapaz de decidir pelo sim".


Por seu turno, Medvedev indicou que "no caso de fracasso das propostas internacionais, há outras opções na mesa para mover o processo noutra direcção", em implícita alusão à eventualidade de sanções mais gravosas contra o Irão.


"O nosso objectivo é claro: um programa nuclear transparente e não algo que cause preocupação ao resto da comunidade internacional", referiu o presidente russo.

As potências internacionais propuseram ao Irão processar o urânio de que esse país necessita para uma exploração nuclear com fins médicos, mas Teerão, que inicialmente se mostrara disposto a aceitar a proposta, tem-se escusado a uma resposta definitiva e pede mais negociações.


No relativo às negociações para o novo tratado de desarmamento nuclear, que substituirá o actual START, que expira em 5 de Dezembro, Obama e Medvedev reiteraram o compromisso de assiná-lo dentro das datas previstas.


O presidente russo, no entanto, assinalou que há questões "técnicas" por resolver.


Na sua reunião de Moscovo em Julho, Obama e Medvedev decidiram que o novo tratado, que estará em vigor durante 10 anos, reduziria o número de ogivas nucleares de cada país a um número entre 1.500 e 1.675 durante os primeiros sete anos, enquanto que os seus vectores ou projécteis para lançamento seriam reduzidos a um máximo entre 500 e 1.000.


O tratado START, assinado em 1991 e que expira em Dezembro, estabelece o máximo de ogivas nucleares autorizadas em 2.200 e os vectores em 1.600.


Entre os assuntos que continuam em suspenso e por resolver está o processo de verificação de todo esse processo, de acordo com fontes norte-americanas.


Em Outubro passado, o conselheiro de Segurança Nacional, James Jones, deslocou-se a Moscovo para apresentar a última proposta norte-americana.


Qualquer acordo entre as partes requererá, para entrar em vigor, a aprovação do Congresso dos EUA e da Duma (parlamento) russa, algo que pode demorar meses.


Face à perspectiva do vazio que seria criado entre a caducidade do START e a ratificação do novo acordo, o senador republicano Richard Lugar propôs uma medida temporária: permitir o acesso de inspectores russos às instalações norte-americanas.