segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Nigéria: Governo e MEND tentam chegar a acordo de paz

Uma delegação nomeada pelo maior grupo guerrilheiro da Nigéria, o Movimento para a Emancipação do Delta do Níger (MEND), reuniu-se sábado para negociações com o presidente nigeriano, Umaru Yar'Adua, informaram ontem os rebeldes.


O objectivo é encontrar uma plataforma negocial que permita pôr termo à violência na zona petrolífera do país através de um "diálogo sério".


Em comunicado distribuído à Imprensa, o MEND indica que a sua equipa negociadora esteve reunida durante duas horas com Yar'Adua em Abuja, num encontro "franco, cordial e útil" que poderá levar ao início de um "diálogo sério e significativo entre o MEND e o Governo".


Nestas conversações, a organização armada afirma esperar que sejam resolvidas "as raízes do problema, que durante longo tempo estiveram mergulhadas na sombra" relativamente à zona petrolífera de onde é extraída a maior riqueza da Nigéria, mas cujos habitantes vivem na miséria".


Integraram a equipa negociadora da guerrilha o prémio Nobel de Literatura nigeriano, Wole Soyinka, o antigo presidente e vice-almirante reformado Mike Ojai Ajigbe, o general aposentado Luke Kakadu Aprezi e Amagbe Denzel Kentebe.


MEND


O principal comandante militar da organização guerrilheira, Farah Dagogo, e o líder histórico do grupo, Henry Okah, também estiveram presentes.


A reunião teve lugar três semanas após o MEND ter anunciado, em 25 de Outubro passado, um cessar-fogo unilateral por tempo indeterminado com vista ao início de diálogo com o governo.


O Movimento para a Emancipação do Delta do Níger anunciou em 28 de Outubro os nomes dos componentes da equipa negociadora que falaria em seu nome para tentar obter maior autonomia política e investimentos para o desenvolvimento daquela região petrolífera. Embora muitos dos seus combatentes e alguns oficiais tenham aceite uma amnistia oferecida recentemente pelo governo, à qual recorreram mais de 8.000 guerrilheiros do sul da Nigéria, o MEND não aceitou a medida de graça e exigiu negociações para tratar dos problemas políticos, sociais e económicos.


Desde que o MEND iniciou a luta armada em 2006, a Nigéria, o maior produtor de petróleo bruto da África, viu reduzir drasticamente a sua capacidade de extracção e chegou a ceder o primeiro lugar a Angola, o que também se traduziu pela perda de boa parte das suas receitas da venda de crude.